Pipoca e o Grande Salto
No Bosque dos Ventos Leves, onde as folhas dançavam como plumas e o ar cheirava a flores novas, vivia Pipoca, um coelhinho branco, curioso e sempre disposto a descobrir algo diferente.
Certa manhã, ele encontrou seus amigos, Bia, a oncinha veloz e Tito, o esquilo mais brincalhão da floresta, diante de um tronco caído.
– Estamos treinando pulos! – anunciou Tito, com o peito estufado.
Bia saltou com elegância. Tito voou como uma flecha. E, então, chegou a vez de Pipoca.
Ele observou o tronco, olhou para suas patinhas trêmulas… e sentiu um apertinho no peito.
– E se eu cair? – perguntou em voz baixinha.
Tito sorriu, gentil:
– Cair faz parte. A gente tenta de novo!
Inspirado pelos amigos, Pipoca respirou bem fundo, ajeitou as orelhas para trás e… pulou.
Não foi um salto perfeito. Ele tropeçou de leve, quase tombou, mas caiu do outro lado rindo, com o coração batendo rápido como pipoca estourando na panela.
– Eu consegui! Mesmo com medo! – comemorou Pipoca, saltitando de alegria.
Bia bateu palminhas com as patas:
– Viu só? Coragem é tentar, mesmo quando dá medo.
E Pipoca guardou aquela descoberta no coração, brilhando como um segredinho novo.
Pipoca e o Picolé Dividido
O sol estava tão quente naquele dia que até as pedras pareciam derreter. Pipoca pulava contente com um enorme picolé de framboesa rosado, geladinho e perfumado. Era seu sabor favorito.
No caminho, encontrou Nina, a tartaruguinha, caminhando devagar, com a língua para fora.
– Uau… esse picolé deve estar tão refrescante… – disse ela, quase suspirando.
Pipoca olhou para Nina, depois para o picolé… tão bonito, tão delicioso, tão inteiro. Ele queria muito saboreá-lo sozinho. Mas também percebeu o quanto Nina precisava de um alívio naquele calor.
Seu coração fez um balancinho.
– Quer dividir comigo? – perguntou, estendendo o picolé.
Os olhos de Nina brilharam como duas estrelinhas.
– Sério? Muito obrigada, Pipoca!
Eles dividiram cada pedacinho, deixando as patinhas pegajosas e os sorrisos ainda maiores. Enquanto caminhavam juntos, conversando e rindo,
Pipoca percebeu algo novo: dividir não diminuiu sua alegria, mas, ao contrário, aumentou.
Quando a gente divide, a felicidade cresce… e os amigos também.
Pipoca e a Semente Dourada
Durante um passeio pela floresta, um brilho discreto chamou a atenção de Pipoca. No chão, repousava uma semente pequenina, dourada como um raio de sol.
— Que mistério! Vou plantar e descobrir o que ela é! — decidiu.
Ele cavou a terra macia, colocou a semente e voltou todos os dias para ver se algo havia nascido.
Primeiro dia: nada.
Segundo: nada.
Terceiro: nem sinal.
Pipoca bufou, frustrado:
– Essa semente não funciona!
Foi então que Vovó Algodão, a coelha mais sábia do bosque, apareceu apoiada em seu cajado de galhos entrelaçados.
– Meu querido, – disse ela com um sorriso calmo; coisas boas precisam de tempo para crescer.
Animado novamente, Pipoca passou a cuidar da semente com carinho. Regou, protegeu, conversou com ela… até que, finalmente, um brotinho verde surgiu tímido entre as folhas.
– Cresceu! Ela cresceu! – comemorou, saltando tão alto que quase tocou as nuvens.
Os dias passaram. Depois, as estações. E, ao longo de um ano inteiro, o pequeno broto virou uma árvore magnífica, com folhas douradas que cintilavam mesmo à sombra, iluminando toda a floresta.
Ali, diante daquela árvore luminosa, Pipoca aprendeu a verdade que levaria para toda a vida:
Paciência transforma pequenos começos em grandes conquistas.


