# machadoem4atos.com.br > Blog de contos sobre o cotidiano. ## Posts - [E AGORA?](https://machadoem4atos.com.br/e-agora/): Na manhã do primeiro dia do ano, Álvaro acordou antes do despertador. Não por esperança, essa havia dormido tarde e seguia dormindo, mas por hábito mesmo, um vício antigo de abrir os olhos para conferir o extrato bancário invisível. Ficou alguns segundos olhando o teto. O teto, fiel à própria função, continuou sendo teto. Levantou-se com cuidado, como se o chão pudesse lhe cobrar pedágio. Na cozinha, passou café e abriu o celular. Abriu de novo. Atualizou. Conferiu os números da Mega da Virada, embora já os soubesse de cor. Errou todos. Nem o consolo do “quase”. Nenhum número por […] - [LIBERDADE, LIBERDADE...](https://machadoem4atos.com.br/liberdade-liberdade/): Eles se conheceram num domingo em que a cidade parecia cochilando. As ruas estavam quase vazias, as lojas fechadas, e o relógio da praça fazia tic-tac bem devagar, como se estivesse bocejando. Ana estava sentada no meio-fio, puxando o cadarço do tênis com força, franzindo a testa a cada tentativa frustrada. – Ei… quer ajuda? – perguntou Miguel, que vinha chutando uma pedrinha e desviando das poças da calçada. Ana levantou o rosto, limpou a poeira das mãos na bermuda e riu. – Quero. Esse cadarço não gosta de mim. Miguel se abaixou, amarrou o laço com cuidado e deu […] - [OUTRA LUZ QUE SE ACENDE](https://machadoem4atos.com.br/outra-luz-que-se-acende/): No começo daquele verão, quando o sol parecia derreter até as pedrinhas da rua, aquela pequena cidade do interior do Ceará ganhou algo completamente inesperado: um grupo de adolescentes que decidiu transformar a velha praça, antes um tanto abandonada, em um palco de ideias. Eles se autodenominaram Coletivo do Futuro, embora ninguém soubesse exatamente quem inventou o nome e porquê. A líder, ou pelo menos quem falava mais alto, era a Beth, uma garota de 16 anos que sempre carregava um caderno cheio de frases sublinhadas e desenhos que ninguém entendia direito. Junto com ela estavam Mateus, o mais velho, […] - [JOGO DE VÁRZEA E OUTRAS COISAS MAIS](https://machadoem4atos.com.br/jogo-de-varzea-e-outras-coisas-mais/):           O sol batia forte no campinho de terra do Santa Helena, mas ninguém parecia se importar. Era final do campeonato de várzea. Do lado esquerdo, o Unidos do Beco, com uniformes que tinham passado mais por mangueira de quintal do que por máquina de lavar. Do lado direito, o Canela Seca Futebol Clube, de coletes emprestados da escolinha do sobrinho do técnico. A torcida estava colada na beira do campo — literalmente — com cadeiras de plástico afundando na lama, caixas de isopor suando cerveja quente e um tio que gritava “Joga no Pelé!” mesmo sem existir ninguém com […] - [TINA, A TARTARUGA APRESSADA](https://machadoem4atos.com.br/a-tartaruga-apressada/): No fundo da floresta tranquila, onde as folhas sussurravam histórias antigas e o sol brincava de fazer desenhos no chão, vivia Tina, uma tartaruga pequena, curiosa e cheia de sonhos. Tina adorava explorar, conversar com os amigos e descobrir cada canto da floresta. Mas havia algo que a deixava sempre entristecida: ela nunca chegava a tempo de nada. Se começava uma corrida… Tina chegava por último. Se havia um piquenique… ela chegava quando todos já estavam guardando as toalhas. Se tinha contação de histórias… ela ouvia só as últimas frases. Um dia, cansada daquele aperto no coração, Tina subiu num […] - [O LEÃO QUE SÓ QUERIA AMIGOS](https://machadoem4atos.com.br/o-leao-que-so-queria-amigos/): No coração de uma floresta cheia de cores e cheiros deliciosos, viviam muitos animais: coelhos fofinhos, cervos elegantes, esquilos espertos, pássaros cantores… Mas todos eles tinham uma coisa em comum: morriam de medo do Leão. O Leão, chamado Leônidas, era grande, forte, tinha uma juba dourada e um rugido tão poderoso que fazia as folhas tremerem. Mas havia um detalhe importante que ninguém sabia: Leônidas era muito tímido e só rugia quando ficava nervoso. Certo dia, enquanto caminhava pela floresta, Leônidas percebeu que todos fugiam quando o viam: os coelhos se escondiam nas tocas, os pássaros voavam para o alto […] - [AS AVENTURAS DE PIPOCA](https://machadoem4atos.com.br/as-aventuras-de-pipoca/): Pipoca e o Grande Salto No Bosque dos Ventos Leves, onde as folhas dançavam como plumas e o ar cheirava a flores novas, vivia Pipoca, um coelhinho branco, curioso e sempre disposto a descobrir algo diferente. Certa manhã, ele encontrou seus amigos, Bia,  a oncinha veloz e Tito, o esquilo mais brincalhão da floresta, diante de um tronco caído. – Estamos treinando pulos! – anunciou Tito, com o peito estufado. Bia saltou com elegância. Tito voou como uma flecha. E, então, chegou a vez de Pipoca. Ele observou o tronco, olhou para suas patinhas trêmulas… e sentiu um apertinho no […] - [O FANTASMINHA QUE NÃO SABIA ASSUSTAR](https://machadoem4atos.com.br/o-fantasminha-que-nao-sabia-assustar/): No alto da colina, havia uma casa antiga, com janelas rangendo e portas que batiam com o vento. Todo mundo na cidade dizia que ali morava um fantasma. E era verdade: o seu nome Bento, e ele era o fantasma menos assustador do mundo. Bento não gostava de dar sustos, nem sabia fazer “BUUU” direito. Quando tentava, saía algo como “buuu…uin?”, tão engraçado que até os morcegos riam. Ele também tinha esquecido como fazer para atravessar paredes. Quando tentava, acabava batendo o nariz e acabava usando as portas como todo mundo. Desajeitado esse tal de Bento, – comentavam os ratinhos […] - [O GRITO CONTRA O PRECONCEITO](https://machadoem4atos.com.br/o-grito-contra-o-preconceito/): NOVELA Capítulo 1 – O Primeiro Dia de Agosto A cidade de Santa Aurora tinha dessas coisas que prendiam a gente entre montanhas e segredos. Um lugar pequeno, de ruas estreitas e casas antigas, onde o vento parecia carregar sempre o mesmo cheiro de terra molhada e os sussurros de histórias que ninguém contava em voz alta. Era o primeiro dia de agosto, quando Júlio, 18 anos, aluno do ensino médio do Colégio Santana, percebeu que algo mudaria naquele semestre. A professora apresentou a nova aluna: — Esta é a Lia Ferreira. Espero que todos a recebam bem. Lia, 17 […] - [RINO, O ROBÔ QUE APRENDEU A DANÇAR](https://machadoem4atos.com.br/rino-o-robo-que-aprendeu-a-dancar/): Rino era um robozinho prateado, pequeno e brilhante, que vivia na oficina cheia de invenções do Professor Humberto. Naquele lugar, tudo fazia barulho: martelos tlim-tlim, engrenagens vrum-vrum, luzes piscando tic-tic. Mas havia um som que Rino amava mais do que todos: música. Sempre que o rádio tocava, bip-bip!, suas luzinhas coloridas acendiam como estrelas. E seu coração metálico parecia vibrar. Rino tinha um sonho: queria dançar. Um dia, juntando toda sua coragem, ele pediu à amiga: – Lila, você pode me ensinar a dançar? Lila sorriu e fez um passo elegante de balé. Rino tentou copiar… PLOC! Caiu sentado no […] - [A MISSÃO DOS PEIXINHOS DO CORAL AZUL](https://machadoem4atos.com.br/a-missao-dos-peixinhos-do-coral-azul/): No fundo do mar, muito além do que os olhos humanos conseguem ver, existia um lugar mágico chamado Coral Azul. As águas eram mornas e cheias de brilhos dançantes. As algas ondulavam como fitas coloridas, e cardumes inteiros passavam em silêncio, como se contassem segredos antigos do oceano. Ali viviam peixinhos de todas as cores: vermelhos como rubis, azuis como o céu, amarelos brilhantes como o sol. Cada um tinha um talento especial, e entre eles estavam três amigos inseparáveis. Lia, a peixinha-luz, iluminava tudo ao redor com sua lanterninha natural na cabeça. Ela era curiosa e sempre observava os […] - [OLHOS CURIOSOS E MENTES ABERTAS](https://machadoem4atos.com.br/olhos-curiosos-e-mentes-abertas/): Na pré-escola Girassol, um prédio amarelo que parecia estar sempre sorrindo para o sol, tudo acontecia do mesmo jeitinho todos os dias. As crianças chegavam correndo, os sapatos batiam nas lajotas, e a professora Ana organizava os lápis de cor como se fossem pequenos soldados prontinhos para a aula. Mas, naquele início de ano, ninguém imaginava que ali nasceria uma amizade capaz de mudar um pátio inteiro. Clara era uma menina branca, dona de um cabelo loiro que se espalhava pelo ar como fios de luz. Ela vinha de uma família rica e muito importante. Chegava à escola sempre com […] - [A FADA LILI E O SEGREDO DA FLORESTA CINTILANTE](https://machadoem4atos.com.br/a-fada-lili-e-o-segredo-da-floresta-cintilante/): A FADA LILI E O SEGREDO DA FLORESTA CINTILANTE No coração da Floresta Cintilante, onde as árvores estavam salpicadas de purpurina e os rios cantavam como pequenas arpas, morava a fada Lili. Sua risada era tão alegre que fazia as flores dançar, e seu voo sempre deixava um rastro cor-de-rosa no ar. Lili adorava explorar a floresta com seus amigos: • Teco, o esquilinho que colecionava nozes brilhantes; • Arco-Íris, a borboleta que mudava de cor conforme o humor; • Zuzu, o vagalume que piscava três vezes quando ficava animado, e ficava animado quase sempre. Certo dia, Lili voava em […] - [GREVE NA ARCA](https://machadoem4atos.com.br/greve-na-arca/): Comédia política em 3 atos Personagens: ATO I – O DESPERTAR DA SELVA ORGANIZADA (Luzes acendem. Barulho de chuva ao fundo. Animais espalhados pelo convés. Girafa olha para cima, indignada.) Girafa (com pose afetada) — Três dias sem alface fresca. Três! Eu não entrei nesta arca pra viver de capim de segunda categoria. Hipopótamo (com a barriga roncando) — Capim de segunda? Eu tô comendo é tapete molhado. (Murmúrios se espalham. Camelo sobe num caixote com cara de sindicalista veterano.) Camelo — Companheiros e companheiras! Chega de sofrer calado! O contrato arca-animal foi assinado com promessas: ração justa, água limpa […] - [DE VOLTA, MAS DE BIGODE](https://machadoem4atos.com.br/de-volta-mas-de-bigode/): Quando Maristela morreu, a morte foi uma confusão digna de novela das nove.Não bastasse o infarto fulminante durante a aula de hidroginástica — justo no dia em que o professor novo, o tal Ramon, estreava uma sunga branca apertada —, ainda teve a cena do velório: o caixão cor-de-rosa, o padre que errou o nome três vezes (“descansa em paz, Marcelina… Marieta… Maristela!”) e a prima Neide pegando o terço de lembrança antes da hora. Maristela, “já do outro lado”, observava tudo, irritadíssima! — Mas é um vexame! E ainda por cima botaram minha foto com aquele penteado que me […] - [CARONA COM O VENTO](https://machadoem4atos.com.br/carona-com-o-vento/): – Uma reflexão juvenil –                 Discordo! Não sou vagabundo por viver o ócio; aliás, minha vida está longe de ser ociosa. Apenas quero ter o meu momento de acompanhar o caminho das formigas, observar as pessoas, ver o filme anunciado, ler o livro indicado, vagar livre e sem relógio pela cidade e escutar o intenso ruído da vida. – Me deixem em paz! Essas são as minhas escolhas.                  Se chego tarde e durmo muito: – vagabundo!                 Se faço ou se deixo de fazer: – vagabundo!                 Atropelam-me!                 Os meus hábitos e pequenos prazeres agridem […] - [OS DOIS LADOS DA MESMA MOEDA](https://machadoem4atos.com.br/os-dois-lados-da-mesma-moeda/): Paula sempre acreditou que o amor era uma questão de sintonia — como duas rádios que, por acaso, se encontram na mesma frequência. Por isso, quando conheceu Clara, no sarau do bairro, ela sentiu aquele estalo que vinha acompanhado de um leve descompasso no coração. Clara era uma mulher de riso rápido, olhar firme e mãos inquietas. Tinha um jeito de ocupar o espaço como quem não devia nada a ninguém. E Paula, com seu vestido azul e a voz doce que ainda aprendia a ser firme, ficou ali, parada, ouvindo-a declamar um poema sobre jardins e liberdade. Depois do […] - [O ÚLTIMO PRAZO DE VALDOMIRO](https://machadoem4atos.com.br/o-ultimo-prazo-de-valdomiro/): Valdomiro Nunes sempre fora um homem metódico. Acordava às seis, tomava café às seis e quinze, lia o jornal às seis e meia e chegava ao trabalho às sete e meia, sem nunca ter se atrasado — exceto no dia em que o ônibus quebrou e ele quase teve um colapso nervoso. A vida era um relógio, e ele, um dos ponteiros. Mas, certa terça-feira, o doutor Assis olhou pra ele com aquele ar de quem segura uma bomba-relógio de más notícias: — Valdomiro… você tem, no máximo, três meses de vida. Valdomiro piscou duas vezes. — Três meses? Tipo… […] - [MINICONTOS DE AMOR E MORTE](https://machadoem4atos.com.br/minicontos-de-amor-e-morte/): POR AMOR Frente ao corpo mórbido, sussurrei em seu ouvido: desculpe-me, querida, mas eu não poderia te deixar viver. ATORMENTADA Precisava dela como o ar, ainda que eu conhecesse o seu tormento. Hoje, atirou-se do penhasco em busca da paz. ACORDA! – Gabriela, berrou Alfredo! – Porque me evitas? – Responde, Gabriela!  Gabriela, estás dormindo? Acorda! – Meu Deus, o quê foi que tu fizeste com a gente?  LEMBRANÇAS O médico informou aos meus familiares que iria proceder ao desligamento dos aparelhos. Todos acreditavam que eu não ouvia e entendia mais nada naquele coma profundo. Concordei, mesmo não mais podendo […] - [RESULTADO NEGATIVO                                                                     ](https://machadoem4atos.com.br/resultado-negativo/): Dona Filomena, ou Filó, como era chamada, teve sua vida recheada de decepções, desamores e tristezas, mas, o que vou lhes contar pode até parecer mentira, mas não é! Quinta filha de uma enorme prole, Filó não conheceu o pai e pouco teve o carinho da mãe que faleceu quando ela tinha apenas três anos. Foi criada pelos irmãos mais velhos, alguns parentes e até por vizinhos, pulando de uma casa a outra. Cresceu pobre e virou-se como pode. Filó deixou a virgindade para trás aos doze anos e, a partir daí,  muitas outras experiências foram se acumulando. Na adolescência […] - [O MENINO E O RIO](https://machadoem4atos.com.br/o-menino-e-o-rio/): Próximo à beira do rio das Almas, onde o sol se despede atrás das montanhas, vivia Miguel, um menino de nove anos, magro, de olhos claros e jeito distraído. Gostava de brincar com pedrinhas e conversar sozinho ou nem tão sozinho. — Eles me chamam, mamãe — dizia, olhando o curso d’água. — Falam comigo. Dona Rosa, mulher de fé, benzia-se. — Ave Maria, Miguel, para com isso. Criança não fala com quem não se vê. Mas o menino sorria, como quem guarda um segredo. À noite, enquanto o vento varria o terreiro, ele se levantava e ia até a […] - [SINTOMAS DO OBSOLETO](https://machadoem4atos.com.br/sintomas-do-obsoleto/):                 Talvez eu seja o único a conhecer os seus mais íntimos segredos. Tornei-me seu melhor amigo e testemunha presencial de quase todas as horas. Éramos colegas de trabalho no banco há muitos anos e estávamos sempre juntos. Caros leitores, se estão pensando que existe algo a mais entre nós, eu lhes respondo: sim, existe amizade sincera entre um homem e uma mulher. E não, nada há entre nós que não seja uma admiração mútua. Jovem e atraente, mas infeliz. Descobrira, junto comigo, que seu marido a estava traindo. Dessas coisas que acontecem ao acaso, certa manhã de uma segunda-feira […] - [HORIZONTE SEM FIM](https://machadoem4atos.com.br/horizonte-sem-fim/): O asfalto cintilava sob o sol da tarde, um tapete quente que cortava o cerrado em duas metades. Ele vinha em velocidade cruzeiro, montado em sua velha Harley Fat Bob. Barba por fazer, jaqueta surrada, olhos escondidos sob visor do capacete e botas que apontavam para milhares de quilômetros já rodados. Ela, um pouco mais a frente, em sua Honda NX 750, estalando de tão nova, corpo inclinado pra frente, conjunto de jaqueta e calça de couro também novos, e cabelos presos por uma fita azul que escapava ao vento.   O encontro aconteceu numa curva suave, dessas que parecem desenhadas […] - [TRAJANO](https://machadoem4atos.com.br/trajano/): Matador de aluguel com orgulho; essa era a sua principal atividade. Contabilizava sete tiros, sete corpos. Sempre certeiro e sem desperdícios. Porém, no último serviço errou o tiro e a encomenda fugiu. Apoiou com suavidade o dedo indicador direito no gatilho, firmou o pulso com a outra mão, fechou o olho esquerdo, fez a pontaria e disparou. O projétil passou rente à cabeça do alvo e penetrou na parede. Não se perdoara pelo fracasso; nem ele e nem o seu furioso contratante, um homem rico e acostumado a pagar para ter tudo o quanto quisesse. Teria pago a metade; a […] - [TESTEMUNHA DE DEFESA](https://machadoem4atos.com.br/testemunha-de-defesa/): O Juiz permanecia atento e imóvel em sua imponente cadeira de espaldar alto. Em pé, o Dr. Bradley Norman, Promotor nomeado para o caso, andava de um lado para outro, gesticulando e falando alto com voz grave ao acusar “aquele monstro” – como dizia – de ter estuprado uma menina de apenas nove anos, rasgando a sua vagina pela violência da penetração e, a seguir, de a ter matado com diversas facadas. Em absoluto silêncio todos os presentes, moradores da comunidade local, ouviam cada palavra proferida pelo acusador. Sem dúvida era uma barbárie que lhes estava sendo apresentada. Por sua […] - [A REUNIÃO DOS NÚMEROS](https://machadoem4atos.com.br/a-reuniao-dos-numeros/): Naquela manhã ensolarada, a Praça do Cálculo estava particularmente agitada. Os dez algarismos — de 0 a 9 — haviam sido convocados para uma reunião extraordinária. O motivo? Ninguém sabia ao certo. O rumor era que alguém andava se achando mais importante do que os outros. O 1 foi o primeiro a chegar, claro. Orgulhoso de ser “o começo de tudo”, ficou postado bem no centro da praça, com o peito estufado como um mastro. — Sempre eu primeiro — murmurou com satisfação. Logo veio o 0, rodopiando leve, elegante, como quem não carrega peso algum. — Sem mim, você […] - [UM ALIENÍGENA NO MEU QUARTO](https://machadoem4atos.com.br/um-alienigena-no-meu-quarto/):             Eu dormia profundamente e sonhava. Quase sempre eu esquecia o meu sonho logo ao acordar, mas, naquela noite…             Ele estava ali, me olhando – ou não -, mas parado em frente à minha cama. O corpo era parecido como de uma pessoa, mas a cabeça não. Essa tinha um formato de uma laranja ou até um pouco menor, talvez como uma ameixa. Não havia orelhas, tampouco nariz, olhos e boca.              Dei um salto, sentei-me na cama e peguei meu travesseiro em posição de ataque ou de defesa, quando daquela estranha cabeça saiu uma voz bem nítida, pedindo […] - [O “ALEMÃO”](https://machadoem4atos.com.br/o-alemao/):             Ruth estava ofegante após aquele lance de escadas. Sentou-se aliviada. Logo atrás dela vinha seu Joaquim que se sentou na poltrona ao lado. Isabela, a secretária, cumprimentou a ambos. Alguns segundos de silêncio e seu Joaquim, um senhor muito afável, começou a interpelar Ruth acerca de sua gravidez:             – Quantos meses?             – Entrei no oitavo mês.             – Que lindo! É menino ou menina?             – Uma menininha.             A conversa ia indo assim, com assuntos genéricos, daqueles que se passa o tempo numa sala de espera de consultório médico. Seu Joaquim aparentava estar bem, apesar de […] - [ENTRE AS LINHAS DA SENTENÇA](https://machadoem4atos.com.br/entre-as-linhas-da-sentenca/): O corredor do Forum, àquela hora, era um túnel de ecos. Cada passo de Camila reverberava entre as paredes de mármore, como se a culpa tivesse som. Carregava nos braços uma pilha de processos, mas era o coração que pesava mais — um coração que, nas últimas semanas, deixara de bater só pelo Direito. O gabinete do Juiz Augusto ficava no fim do corredor, atrás de uma porta larga, silenciosa como segredo guardado demais. O relógio marcava 19h12 quando ela empurrou a maçaneta e entrou. Ele estava lá, apenas de camisa branca, mangas dobradas e a gravata pendendo como se […] - [O CONVENTO DO SINO FATAL](https://machadoem4atos.com.br/o-convento-do-sino-fatal/): A névoa da colina rastejava como uma criatura viva, serpenteando pelas pedras úmidas do Convento de Santa Cecília. A construção, cinza e imponente, erguia-se como uma cicatriz no horizonte, com vitrais gastos, telhas lascadas e uma torre alta demais — como se quisesse tocar algo que não era o céu. No interior, o silêncio era denso. Um silêncio que não era paz — era espera. Irmã Teresa subiu a escada em espiral da torre naquela madrugada gelada. A porta estava entreaberta, o cadeado estilhaçado no chão, coberto por uma gosma escura e pegajosa que grudava nos dedos. O cheiro era […] - [É MUITO AMOR À PÁTRIA](https://machadoem4atos.com.br/e-muito-amor-a-patria/): Era uma manhã gloriosa em Brasília — ou, pelo menos, era o que dizia a nota oficial de imprensa. No Congresso Nacional, os lustres reluziam como dentes clareados, as câmeras piscavam como vaga-lumes ambiciosos e os parlamentares caminhavam pelos corredores com a pose de quem tinha acabado de inventar a democracia. A pauta do dia era de urgência nacional — ou, segundo alguns assessores, ninguém sabia bem do que se tratava. Oficialmente, discutia-se se deveriam ou não criar uma comissãoparamarcar uma reunião que decidiria se valia a pena debater a possibilidade de formar outra comissão. O primeiro a discursar foi […] - [ENTRE PÉTALAS E SILÊNCIOS](https://machadoem4atos.com.br/entre-petalas-e-silencios/): O relógio da recepção marcava sete e meia da manhã quando Dona Marta empurrou a porta de vidro da academia. O ar condicionado jogava um vento frio demais para uma manhã de outono, e, ainda assim, ela sentiu um calor repentino subir-lhe pelas faces. Lúcia já estava lá — como sempre. Perto do espelho, alongava-se com uma lentidão que beirava a coreografia. A calça justa marcava os contornos dos quadris firmes para a idade, e a blusa lilás deixava à mostra parte do colo — um decote contido, mas impossível de ser ignorado. Marta prendeu a respiração por um instante, […] - [O ÚLTIMO APLAUSO](https://machadoem4atos.com.br/o-ultimo-aplauso/): O eco dos gritos ainda vivia dentro dela. Às vezes, de madrugada, soava nítido — como se o público ainda estivesse lá, com celulares erguidos e olhos brilhando. Verona fechava os olhos e ouvia: “Mais uma!”. Mas os aplausos não eram de hoje. Fazia dois anos desde que ela entrara no palco pela última vez — e tropeçara, com as pupilas dilatadas, a fala arrastada e o olhar perdido. A imagem, transmitida ao vivo para milhões, correu o mundo antes que seu corpo atingisse o chão. Naquele dia, Verona era manchete. No seguinte, piada. E, logo depois… silêncio. Os cartazes […] - [A SESSÃO FANTASMA](https://machadoem4atos.com.br/a-sessao-fantasma/): Ninguém mais lembrava quando aquilo começara, mas era sabido que, nas madrugadas de quinta-feira, o Congresso Nacional não ficava vazio de verdade. Os vigias cochichavam que os corredores suspiravam sozinhos, que portas batiam sem vento e que o plenário, mesmo deserto, recebia plateias invisíveis. Severino, o mais antigo entre eles, repetia sempre a mesma sentença: — Esses cabras voltam é pra discursar. Morto ou vivo, político não perde a mania. Naquela noite, o painel eletrônico piscava sem parar um nome desconhecido: Deputado João da Sombra. Ninguém lembrava dele, mas lá estava, como se fosse líder de bancada. O presidente da […] - [ASSASSINATO NA ROÇA](https://machadoem4atos.com.br/assassinato-na-roca/): A manhã começava devagar no vilarejo de São Bento das Veredas. O orvalho escorria pelas folhas do milho, e os galos, pontuais como sinos, anunciavam a chegada do sol. Dona Lurdes já começava a preparar o almoço no fogão a lenha, enquanto Zé Pardo selava o cavalo para mais um dia de trabalho na roça. Tudo ali seguia um ritmo antigo, como se o tempo fosse medido não por relógios, mas pelo canto dos pássaros e o cheiro da mata e terra molhada.Mas, naquela quarta-feira, havia um silêncio diferente no ar — pesado, denso, como se o campo segurasse a […] - [O SEQUESTRO](https://machadoem4atos.com.br/o-sequestro/):             19:00h. Ninguém a buscou na escola. As aulas terminavam sempre às 18h. Ninguém aos quais me refiro seriam os seus pais. Divorciados há pouco tempo após uma sangrenta batalha litigiosa, confundiram-se quanto ao dia de cada um buscá-la. Não parece ter sido adequada àquela decisão judicial quanto à forma da guarda compartilhada de Janaína, filha única e ainda adolescente. Ela vinha se dividindo todos os dias entre as duas casas do ex-casal. E, a casa do pai, ainda estava muito improvisada. Na sala havia um sofá, algumas cadeiras, uma pequena mesa de centro e uma televisão que trouxe com […] - [O ÚLTIMO TURNO](https://machadoem4atos.com.br/o-ultimo-turno/): A sirene soou às seis da manhã, como fazia todos os dias, e os portões da Metalúrgica Orion se abriram para mais um turno. O chão de fábrica exalava um cheiro metálico e quente, uma mistura de óleo queimado e ferro fundido. As máquinas começaram a rugir, enchendo o galpão com o som repetitivo e hipnótico das prensas e tornos. Era terça-feira — e, até aquele dia, nenhuma terça na Orion jamais havia trazido surpresas. A primeira a perceber que havia algo errado foi Cláudia, supervisora de produção. Quando passou pela sala de controle, notou a luz vermelha piscando sobre […] - [O ESGRIMISTA DO CAOS](https://machadoem4atos.com.br/o-esgrimista-do-caos/): Segunda-feira. Nada mais irritante do que acordar com ressaca e ainda ter de enfrentar o trânsito enlouquecido. Ao urinar, lembrei-me dela. – Que gata! Que noite!             Naquela avenida, um ônibus cruzou a minha frente. Acelerei, mas o semáforo fechou. Deixei a janela do carro aberta; o ar-condicionado havia estragado. Não tardou para um menino exibir-se com malabares em frente ao meu carro enquanto me olhava; um dos malabares caiu no chão. Desviei a atenção. Logo ao lado, um pedinte se aproximou; fechei a janela; um vendedor de sei–lá-o quê demonstrava as virtudes daquele produto, jogando-o para cima e o […] - [O AROMA DAS UVAS](https://machadoem4atos.com.br/o-aroma-das-uvas/): As caves da vinícola guardavam um silêncio antigo, quebrado apenas pela voz da guia turística que falava sobre terroir e safras. Débora, por sua vez, caminhava devagar, arrastando-se atrás do seu grupo, até notar o homem apoiado a um barril. O olhar dele, firme e direto, a prendeu mais que qualquer vinho. Quando os turistas seguiram adiante, ela ficou para trás. — Estás perdida? — perguntou, Caio, com aquele francês atravessado por outro sotaque. — Talvez… — respondeu, aproximando-se um pouco. — Talvez eu queira me perder por aqui. O sorriso dele foi lento, calculado. Tomou a taça de sua […] - [O GRANDE ESPETÁCULO DA COZINHA](https://machadoem4atos.com.br/o-grande-espetaculo-da-cozinha/): PARTE 1 A cozinha do La Fine Fleur brilhava como um templo de aço inox, mas naquela noite de gala, mais parecia picadeiro de circo. O chef Arnaldo, um francês de Goiás que jurava ter sotaque parisiense, desfilava pelo espaço como maestro regendo uma orquestra invisível. — Attention, messieurs et madames! — berrou, erguendo a colher de pau como se fosse batuta. — Hoje, perfeição absoluta! Nada de tropeços!           Foi nesse exato instante que o sous-chef Júnior, nervoso, deixou cair uma bandeja com vinte ovos. O chão se encheu de clara e gema que se espalharam lentamente, formando um […] - [RELINCHOS DA MEIA-NOITE](https://machadoem4atos.com.br/relinchos-da-meia-noite/): Depois daquela noite, a fazenda e seus arredores nunca mais conheceram sossego. Às primeiras luas cheias, os campos ficavam coalhados de pegadas que ardiam no chão como brasas apagadas, mesmo que nenhum cavalo restasse mais por ali. O cheiro de enxofre misturava-se ao de esterco, e os bois nas pastagens vizinhas berravam sem parar, como se também percebessem a presença de algo que rondava. A sede daquela fazenda, hoje, não passa de um esqueleto de madeira apodrecida e cercas caídas, mas ninguém se atreve a entrar. O mato engoliu os currais, e as baias se encheram de morcegos e teias. […] - [O JULGAMENTO](https://machadoem4atos.com.br/o-julgamento/): (Esta é uma obra de ficção e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência) Era uma manhã abafada no Tribunal lotado com jornalistas, curiosos e estudantes de Direito desesperados por horas de estágio para a faculdade. O caso parecia ser inusitado: o réu estava sendo acusado de roubar… uma galinha de estimação. O Juiz, homem com semblante sério e muito respeitado, declarou: — Está aberta a audiência! Nesse instante, a porta se abriu e alguém atirou uma galinha para dentro da sala de audiências, sob protestos do Oficial de Justiça que não conseguiu evitar. O réu havia solicitado a […] - [O QUARTO 17](https://machadoem4atos.com.br/o-quarto-17/): Era terça-feira, abafada, com o ar parado como chumbo. Marcos disse ao chefe que visitaria um cliente, desligando o seu celular logo ao entrar em seu carro.  Juliana saiu do escritório apressada, inventando uma audiência de última hora. O destino era sempre o mesmo: um motel discreto na rodovia e próximo à cidade. O gerente já os conhecia, não fazia perguntas. Apenas entregou a chave do Quarto 17. O quarto estava igual a todas as outras vezes: lençóis esticados, espelho redondo sobre a cama, cheiro de desinfetante barato tentando encobrir algo mais antigo. Mas, enquanto se entregavam ao desejo, o […] - [UM RELATO FINAL](https://machadoem4atos.com.br/um-relato-final/): A zona que me separa do caos absoluto é muito tênue. Essa linha imaginária vem desaparecendo e estou sendo absorvido pela escuridão. Perambulo, vez ou outra, ainda solerte nas ruas imundas do centro de São Paulo, procurando ser o que não mais consigo. Um dia estudei com interesse e eficiência, tenho esposa e filhos, tive uma empresa, enfim, um espaço e alguma importância nessa vida. De administrador com razoável sucesso passei à dependente químico. No início, foi um “tapinha” na maconha entre amigos; logo veio a cocaína e o álcool em festas e até no trabalho, mas depois o crack […] - [O FORASTEIRO](https://machadoem4atos.com.br/o-forasteiro/): São Bartolomeu era uma cidadezinha miúda, escondida no pé da serra mineira da Mantiqueira, onde a vida corria devagar quase parando. O sino da Matriz dava conta das horas e durante o dia o povo se revezava na venda do Seu Aristeu pra falar de nada e de tudo. À noite só havia barulho de grilo, cachorro latindo e, quando muito, um violão chorando na varanda de alguém. Foi num dia de segunda-feira, logo cedo e depois da missa, que apareceu um cabra diferente. Vinha sozinho, a pé, chapéu caído no rosto e um bornal surrado no ombro. — Ocê […] - [DESTINO TRAÇADO](https://machadoem4atos.com.br/destino-tracado/): Laura entrou no banheiro, sentou-se no vaso e, ao olhar para o lado, encontrou um objeto. O tal objeto, diga-se, um pequeno pacote, continha um pó branco que ela, infelizmente, conhecia desde a sua adolescência. Cheirou, levou à boca, esfregou na gengiva. Saiu às pressas dali; sem pensar muito, pegou o celular e fez uma ligação. Laura não fazia ideia, mas havia traçado o seu destino. – Oi, Laurinha… quanto tempo. O que manda?    – Fala, Bigode; tu nem acredita! Achei no banheiro da faculdade um punhado de maisena. – Como assim? Tu voltou pra guerra? –  Claro que […] - [RODA VIVA](https://machadoem4atos.com.br/roda-viva/): – É uma “fria”, Maurício! Não te mete com mulher casada.            Assim exclamou Marcos, meu sócio e melhor amigo, após ter-lhe confidenciado a aventura extraconjugal a qual estava envolvido.      Relacionamento a três é complicado; mas encarei. Não conseguia evitar. O seu marido, Marcelo – só grosserias. Exausto dos seus fracassos, Márcia era quem suportava as agressões daquele babaca.      Foi lá. no colégio das crianças, as deles e as nossas, quando nos vimos pela primeira vez em reunião semestral. Marta, minha mulher, atenta, cuidava de perguntar à professora como estavam os meninos. E eu cuidava Márcia. Nossos olhares […] - [PROMESSAS DE CAMPANHA](https://machadoem4atos.com.br/promessas-de-campanha/):      Edilon candidatou-se à vereança daquele pequeno lugarejo. O partido político que o abrigara era chamado de nanico e nanica também era a sua verba de campanha. Restou-lhe pedir votos de porta em porta. Em comícios participou muito pouco e sempre aproveitando a popularidade do candidato a prefeito do seu partido. Administrava o cemitério e, também, a única funerária da cidade; por isso, carregava a irônica alcunha de “seu Funério”. Bastante conhecido na região, com personalidade dócil e prestativa, era uma mistura de um bugre local e de uma descendente de alemães. Já meio velho, meio gordo e meio careca, […] - [ILHA DOS HORRORES](https://machadoem4atos.com.br/ilha-dos-horrores/):      Do interior daquela cela, a sua mais nova moradia, nada mais poderia fazer. Ruminava a dor e a luz da vida se lhe apagara.      “A confissão liberta o pecador”. Esse era o ensinamento que recebera. Compreensível conservar senão aquilo que a sua consciência lhe exigisse. Confessou.      – Matei minha mulher!      A educação que lhes transmitiram teve a marca da austeridade. Católico fervoroso, seus princípios enraizados não lhe alcançavam argumentos para dissimulação. Logo após o crime, dirigiu-se à Delegacia de Polícia e assumiu a autoria. A confissão atenuou-lhe a pena, mas não lhe apaziguou a alma. – […] ## Pages - [Contos Infantojuvenis](https://machadoem4atos.com.br/contos-infantojuvenis/): Aventurei-me na criação de contos infantojuvenis, para leitura de pais, tios e avós. E também para a garotada que está descobrindo o prazer da leitura. - [Contos](https://machadoem4atos.com.br/blog/): Blog Olhares sobre o cotidiano - [SOBRE MIM](https://machadoem4atos.com.br/about/): Sobre mim Quem sou eu. Um Machado que não é o “de Assis”… Inicialmente, minha intenção era a de escrever um livro de contos literários com o título “O esgrimista do caos”. Não seria um livro sobre o esporte esgrima, mas sim uma sequência de contos do cotidiano, no qual a esgrima seria apenas uma metáfora para comparar ou simbolizar as diversas manifestações humanas. Sim, fui um esgrimista desde os meus 12 anos de idade, e hoje conto com 65. Durante muito tempo, tornei-me um atleta bastante esforçado e com alguns méritos esportivos e experiências internacionais; porém, por temperamento, resolvi […] - [Home](https://machadoem4atos.com.br/): Como esse blog nasceu? Este blog nasceu do desejo de reunir e compartilhar experiências, reflexões e criações literárias acumuladas ao longo de uma vida dividida entre quatro grandes paixões: a esgrima, o direito, a gestão esportiva e a escrita literária. O nome do blog, Machado em 4 Atos, não é por acaso. Ele representa essas quatro frentes que marcaram minha trajetória e que, de forma direta ou simbólica, continuam influenciando minha visão de mundo. A proposta inicial era escrever um livro de contos chamado “O esgrimista do caos”, onde a esgrima serviria como metáfora para os embates cotidianos, os conflitos […] - [Política de Privacidade](https://machadoem4atos.com.br/privacy-policy/): Última atualização: 03 de agosto de 2025 O blog Machado em 4 Atos respeita a privacidade dos seus leitores e está comprometido em proteger os dados pessoais coletados por meio da navegação, comentários e interações no site. 📌 Informações Coletadas Coletamos informações de forma automática e voluntária quando: 📬 Uso das Informações As informações coletadas são utilizadas para: 🍪 Cookies Este blog utiliza cookies para analisar o tráfego, personalizar conteúdo e melhorar sua navegação. Você pode optar por desativar os cookies nas configurações do seu navegador. 🔒 Proteção de Dados Adotamos medidas técnicas e organizacionais para garantir a segurança dos […] [comment]: # (Generated by Hostinger Tools Plugin)