Rino era um robozinho prateado, pequeno e brilhante, que vivia na oficina cheia de invenções do Professor Humberto.
Naquele lugar, tudo fazia barulho: martelos tlim-tlim, engrenagens vrum-vrum, luzes piscando tic-tic.
Mas havia um som que Rino amava mais do que todos: música.
Sempre que o rádio tocava, bip-bip!, suas luzinhas coloridas acendiam como estrelas.
E seu coração metálico parecia vibrar.
Rino tinha um sonho: queria dançar.
Um dia, juntando toda sua coragem, ele pediu à amiga:
– Lila, você pode me ensinar a dançar?
Lila sorriu e fez um passo elegante de balé.
Rino tentou copiar…
PLOC! Caiu sentado no chão.
Lila riu com carinho.
– Não tem problema, Rino! Você consegue. Tenta de novo.
Determinado, Rino observou o gato Bigode.
O gato levantou a patinha com graça felina.
Rino levantou também…
CLUNK! Bateu o braço na mesa, derrubando parafusos.
Depois, tentou aprender com vídeos.
Girou… girou… girou…
Até rolar pelo chão em um redemoinho de braços e pernas robóticas.
Rino ficou parado, triste. Sentiu que sua lataria parecia ainda mais pesada. Disse baixinho:
– Acho que… robôs não nasceram para dançar.
O Professor Humberto se aproximou, limpando as mãos cheias de graxa.
– Rino, talvez você esteja tentando dançar como os outros.
Mas você não é os outros.
Você é você.
Por que não tenta dançar… do seu jeito?
Rino pensou nisso.
Um pensamento diferente acendeu dentro dele, quase como uma faísca azul.
Então, o rádio tocou de novo.
Rino respirou fundo, se é que um robô respira.
Moveu a cabeça: tic-tic.
Depois os braços: clac-clac.
Por fim os pés metálicos: tum-tum.
Ele não estava imitando ninguém.
Estava dançando do seu jeito, como Rino, do jeito que só um robô poderia dançar, cheio de cliques, giros curtos e movimentos inventados.
Lila arregalou os olhos.
– Uau! Essa é a sua dança!
Na Feira de Ciências, Rino subiu ao palco.
As luzes refletiam em sua lataria prateada.
A música começou… e Rino dançou.
Dançou como nunca.
Dançou como quem finalmente encontrou um lugar só seu.
As crianças bateram palmas!
Os adultos sorriram com surpresa.
O gato Bigode até balançou o rabo, aprovando.
E ali, naquele palco iluminado, Rino sentiu algo que nenhum parafuso podia prender: alegria.
Ele descobriu que todo mundo pode dançar.
Basta dançar do seu próprio jeito.


